segunda-feira, 31 de março de 2025

Despedidas

Eu percebi que tenho muita dificuldade com as despedidas e os fins. Algo que olhando agora parece claro, mas que essa semana ficou mais evidente. 

Essa foi uma semana atípica para mim, passei por um momento que nunca havia passado, que até meses atrás eu estava morrendo de medo e precisei de bastante tempo para aceitar que não tinha outro caminho.


Em decorrência disso meus dias precisaram ser adaptados, precisei desacelerar meu ritmo, compreender que era pra descansar, pra esperar que fizessem por mim. 


Embora eu tivesse o direito de não trabalhar, não me programei para isso, pois achei que seria muito rápido a recuperação, mas não foi precisei de mais tempo, embora esteja sendo tranquila.


Então precisei organizar um setting terapêutico para atender e no fim tudo deu certo. Mas hoje (14/03), ao finalizar os atendimentos precisei desmontá-lo para voltar a minha rotina, voltar pra casa e nesse momento veio a nostalgia.


Percebi aquele velho sentimento que tinha todas às vezes em que fui a um lugar onde eu me senti muito bem e depois tinha que voltar pra casa. Um aperto no peito, uma sensação de estar perdendo algo e por fim, a despedida.


Então entendi que por mais que eu saiba que tudo pode chegar a um fim e que eu às vezes saia como se não tivesse sido afetada, eu não sei lidar com as despedidas, com os fins.


E não é apenas sobre lugares e coisas. Mas eu já conheço meu ritual.


#despedidas #registros #saúde #memórias

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Diálogos sobre liberdade

    Nesses últimos dias, eu conversei com umas amigas sobre estar desejando fazer coisas novas, porque geralmente eu me entedio facilmente com quase tudo. Uma delas me sugeriu fazer aulas de circo para movimentar o corpo. Achei bem interessante, comecei a procurar e me chamaram a atenção as aulas de lira e tecido, pela sensação de liberdade.


    Na quarta à tarde enquanto caminhava para a aula do mestrado, fui refletindo sobre coisas que eu gostaria de fazer, como aquelas listas para fazer antes dos XX anos. Mas que eu quisesse fazer  por um desejo genuíno e não porque as pessoas fazem ou estão na moda. Esse sempre foi um incômodo, mesmo que em algum momento eu tenha cedido.


    Pois bem, pensei no rapel, mas lembrei que eu tinha vontade de saltar de paraquedas, voar de parapente ou asa delta. Quando cheguei em casa comecei a procurar pessoas e valores. E a mesma sensação que eu tinha anos atrás reapareceu, liberdade.


    Fui me preparando para jantar e enquanto lavava a louça e lembrei de um exercício que fiz há anos atrás, quando participei de um grupo terapêutico. Escolher imagens para fazer uma colagem e dizer o que elas representavam. Lembro-me de ter escolhido uma imagem de céu bem azul, sem nenhuma nuvem e ao falar sobre ela eu disse que me trazia a ideia de liberdade e isso era algo que eu queria ter na vida.


    Hoje, refletindo sobre minha busca, por coisas que me interessam fazer, percebi que todas elas me possibilitam esse sentimento de liberdade. E fiquei pensando que a liberdade está muito mais em você se desobrigar de fazer as coisas que todo mundo faz ou diz que deveríamos fazer, do que viver sozinha, sair sozinha, evitar criar vínculos e fiquei feliz em perceber que estou trilhando esse caminho.


    Esse é um momento da minha vida em que tenho feito muitas auto reflexões sobre "o estar sozinha" e sim, causa muito incômodo. Mas é também um período de reconexão e acho que isso tem muito a ver com amadurecimento. Resgatar quem fomos, aceitar quem somos e permitir que sejamos quem desejamos ser.

.

.

.

.

#liberdade #circo #autonomia #voo

 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Eu escolhi interromper os ciclos de violências

              O título deste texto surgiu a partir de uma reflexão em torno da forma como trato as pessoas, esmo aquelas que apresentam um comportamento desagradável em relação a mim.

Tenho bem estabelecido em minha forma de pensar que quero sempre tratar bem e com respeito todas as pessoas porque é também dessa forma que gostaria de ser tratada. Sempre consigo? Não. Às vezes eu sou desatenta na relação com o outro, às vezes autoritária, por vezes não consigo me comunicar de forma assertiva o que sinto e em alguns momentos sou individualista e não entenda ser individualista como um problema. Nós precisamos mesmo estabelecer certos limites nas relações para que não nos percamos de quem somos e para que sejamos respeitados. Mas é preciso estar atento à medida da individualidade.

E acho que esse é o ponto para que eu entre no tema que queria trazer. A violência presente na experiência de vida de pessoas negras que inevitavelmente produz uma subjetividade, a forma de ser de cada ser humano, adoecida.

Desde a infância os corpos negros experimentam diversos tipos de violências, sejam no ambiente familiar, no escolar, nas instituições sociais pelas quais passa ao longo de sua vida como um todo, devido a estrutura racista em que nossa sociedade foi formada e que define não só a forma como pessoas não brancas serão tratadas, como também os lugares que elas podem ou não ocupar. E o lugar de ser humano que merece receber afeto, é um dos que lhe foi retirado o direito de acessar, provocando tamanha desumanização desses corpos.

Não vou entrar aqui em detalhes das consequências do racismo na vida de pessoas negras para não gerar maior sofrimento e não cair no erro de unificar as experiências, apesar de já estar posto que existe uma narrativa comum quanto a essas experiências e o racismo em suas diversas formas é o que as atravessam.

Pois bem, resgato aqui o objetivo deste texto: o resgate da humanidade através do afeto e do cuidado. Entender que por anos nossos corpos têm sido tratados como mercadoria e que precisamos resgatar formas de cuidar que nos devolva o direito de sentir e falar sobre o que se sente são imprescindíveis para perpetuar e afirmar nossa existência. E não há caminhos para se fazer isso que não passe pelo aquilombamento, pelo resgate dos valores africanos e do sentido do que é viver em comunidade.

Sendo assim, para mim, é claro o entendimento de que se eu escolhi interromper esses ciclos de violências sofridas por mim e por minha comunidade, eu preciso ter comportamentos que condizem com isso.

O Psicólogo Rômulo Mafra diz que “o maior genocídio da escravidão foi o assassinato da autoestima do negro, que persiste até hoje.” E olhar principalmente para pessoas negras, suas experiências, seus traumas e adoecimentos com afeto, oferecer cuidado, escuta e criar um ambiente para que ela possa não reviver essas dores, mas conseguir verbalizar e ressignificá-las, é parte fundamental do objetivo de devolver a humanidade aos corpos negros e possibilitar a formação de outras subjetividades. 

Talvez essa atitude se aproxime ao máximo do que Bell Hooks define como amor, que estaria mais no campo da ação do que de um sentimento. Seria um movimento que nos coloca contra o domínio e opressão aos quais fomos submetidos há anos. E que envolveria a “combinação de cuidado, compromisso, conhecimento, responsabilidade, respeito e confiança”. E para entender esse conceito precisamos pensar amor, fora da lógica ocidental.

E como Psicóloga que segue uma abordagem terapêutica humanista, onde acredita-se que existem três condições facilitadoras nas relação terapêutica e que precisam ser intrínsecas ao terapeuta, eu não poderia ser diferente. Essa forma de ser se expressa na vida e na clínica.

#saúdementaldapopulaçãonegra #saúdemental #psicologia #psicoterapia


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Propósitos, qual o seu?





Tudo o que acontece em nossa vida tende a nos levar ao propósito que temos nela.

Às vezes, quase sempre, não compreendemos e isso pode nos causar angústia, sofrimento, porque tentamos seguir um fluxo diferente do sentido em que a roda está girando. Porém, se tivermos abertura, no momento exato as respostas vêm, as coisas começam a fazer sentido e nos alinhamos ao fluxo da vida. E aí, milagrosamente (ironia), as coisas fluem.

Eu geralmente falo sobre uma frase do Steve Jobs que eu guardo há anos: "Tenha a coragem de seguir o que seu coração e sua intuição dizem. Eles já sabem o que você deseja. Todo o resto é secundário." Mas, às vezes eu esqueço. E são nesses momentos que inesperadamente, meus mentores espirituais, minha ancestralidade (como queiram chamar) entram em ação me lembrando que é preciso silenciar e me ouvir.  Ouvir aquela vozinha que muitas das vezes, na correria do dia a dia, ignoramos. 

E a resposta vem...

Iyá Janaína Portela diz: "Propositalmente esquecemos para o que viemos, nossa missão é relembrar". 

"Quem tem fé não fica sem resposta." Mãe Flávia Pinto.

Já se ouviu hoje? Qual a direção que você tem seguido?

.

.

.

#propósito #vida #espiritualidade #matriarcado

Créditos da imagem: https://www.setedias.com.br/noticia/dez-por-um/119/sobre-propositos/27712

sábado, 21 de outubro de 2023

Serenidade



Eu sempre compartilho aqui o quanto estudar sobre espiritualidade me ajuda a compreender as coisas que acontecem em vida. Umas fotos que tirei hoje, me trouxeram a mais uma reflexão.

Estudar sobre orixá oxalá me ensina que tendo calma e serenidade pra caminhar, consigo ter tempo pra refletir e olhar a minha volta. Me ensina, por mais que seja difícil, a viver um dia de cada vez, a não ter pressa pra resolver tudo, porque nem tudo depende de mim.

Estou aprendendo que preciso fazer o que está ao meu alcance da melhor forma que eu posso, tirar um tempo para descansar e refletir porque assim eu chegarei onde quero menos cansada e mais sabia.

Nem sempre foi assim, nem sempre é fácil, mas aprendi que era o necessário. Aprendi que as linhas de chegada são muito importantes, mas a forma como eu caminho também.

Porque na vida, às vezes, a gente precisa fazer o caminho de volta, mas correndo eu não consigo prestar atenção nele e isso dificulta a criação de estratégias, custando um tempo maior para chegar.

Segundo Nego Bispo, nossa vida é começo, meio e começo.

Epá Babá! 🤍🕊️

*Imagem da internet 

#tempo #oxalá #paciencia # serenidade 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Eu sinto muito

 


Começo esse texto com a frase de uma Psicóloga que ouvi recentemente em um podcast. "Tudo o que você sente está certo."

Sempre fui uma pessoa de sentir de forma intensa tudo na vida. Fossem os encontros, as despedidas, as perdas, o medo... Mas na sociedade em que vivemos é um "problema" ser sentimental demais. Precisamos ser racionais, objetivos o que não nos permite ter tempo para sentir. Principalmente quando falamos de pessoas negras, por todo o processo de colonização que nos roubou a humanidade. E se não nos é concedido tempo para experiênciar uma vivência com toda a riqueza que esse evento traz, como poderemos compreende-lo ou elabora-lo?

Ao longo da vida eu sempre me identifiquei como uma pessoa 50% racional e 50% sentimental.

Mas sendo alguém que sempre acreditou em astrologia, e que compreende o quanto a mesma nos possibilita um autoconhecimento, tenho o signo sol em peixes, ascendente em virgem, lua em libra e vênus em touro. Sempre achei um mapa bem bagunçado. Mas na fase adulta, em que comecei a buscar mais entendimento sobre o que de fato essas informações queriam dizer, entendi que na verdade eram as combinações perfeitas e que o que eu precisava era aprender a usá-las a meu favor. 

Pois bem, desse meio a meio que falei antes, a parte sentimental sempre foi muito criticada e questionada e eu passei a vida toda acreditando que eu precisava mudar isso. Precisava ser mais racional, parar de chorar por bobeira, me posicionar ao invés de me recolher porque a situação ou o que eu ouvi foi doloroso demais pra mim. E como consequência eu me calei. Passei grande parte do tempo que tenho de existência sendo aquela criança, adolescente e adulta que todo mundo elogiava por ser educada, centrada, um exemplo a ser seguido. Mas essa era a Bianca que os outros queriam, que adoeceu e não podia dizer. E o resultado do silenciamento são infinitos sintomas no corpo físico, doenças ligadas a imunidade, até entender que eu era um todo. 

Quando eu aprendi que eu podia falar, eu desandei, não queria guardar mais nada. O melhor dessa fase foi aprender a gargalhar. Repetia sempre uma frase da série A vida e a história de Madam CJ Walker, "Às vezes, o silêncio é a única proteção que uma mulher negra tem. Mas agora que aprendi a contar minha história, não posso mais me calar". Mas depois eu entendi que eu precisava aprender a comunicar o meu sentir, até para não ferir os outros e nesse processo minha ancestralidade me ensinou a cuidar da minha cabeça, a cultuar orixá através do meu bom comportamento para caminhar de vagar, com calma na vida e tomar boas decisões. Lembro de uma frase que ouvi de psicólogas negras que são de terreiro "nós como mulheres de terreiro entendemos que nosso autocuidado se inicia pela cabeça", ou seja, cuidar da saúde mental. 

Cursando Psicologia, e depois de uns necessários anos de psicoterapia, de reencontro com minha ancestralidade e frequentar terreiros para ouvir os conselhos daqueles que vieram antes de mim, compreendi que o que eu precisava era de me permitir sentir, de ser validada e respeitada e principalmente de respeitar a minha forma de sentir.

Então, sim! Eu sinto muito. Eu ainda sou intensa. Eu as vezes, passo dias triste e angustiada por algo que estou sentindo, mas não consigo nomear. Ou por alguma situação que passei e que ainda não fez sentido pra mim até que eu fico pensando sobre aquilo, ou choro, ou converso com alguém, ou vou ao terreio e consigo compreender/ elaborar aquela experiência e sigo.

Da mesma forma quando eu vejo algo que gosto muito ou acho bonito eu falo. Quando vou a um lugar que eu me sinto muito feliz eu fico igual a uma criança, porque me sinto tão livre e segura para viver aquele momento que essa é a única possibilidade de me expressar.

Pra finalizar volto a história dos signos. O signo sol "é a nossa essência básica (...), revela quem realmente somos" ou seja, tenho o "Sol vibrando em Água Mutável", logo tenho uma sensibilidade aflorada no campo emocional, principalmente com as combinações do meu mapa astral. Algo que mais uma vez se justifica quando me aproximo do entendimento do meu destino.

Qual a sua forma de sentir e expressar?


#emoções #sentimentos #signos #astrologia #espiritualidade #psicologia

Imagem: https://www.meucoracaoafricano.com/post/2016/03/03/novos-orix%C3%A1s-aj%C3%AA

Frase: https://br.pinterest.com/pin/srie-a-vida-e-a-histria-de-madame-cj-walker--753790056372558944/

Referências: https://www.astrolink.com.br/mapa-astral

terça-feira, 11 de julho de 2023

Sobre ser

Quase ninguém entende a forma como me expresso. Se acho bonito, falo. Se acho legal, interessante, falo e incentivo. Estou sempre tentando ajudar, fortalecer, fazer as pessoas progredirem.

Minha avó ensinou que o que não quero pra mim, não deveria querer ou fazer com os outros. Logo, sou educada, transmito afeto, mesmo que algumas pessoas se aproveitem disso. 

Sou tão verdadeira que ser diferente disso me constrange, me angustia. O mais difícil é vestir uma roupa que não me cabe. E o mais importante é saber que tenho paz ao deitar para dormir.


#ser #autenticidade

"És o senhor do destino"



Lembro-me da minha primeira despedida da Universidade Rural. Eu morava no alojamento, precisei esvaziar meu armário e fiz isso chorando copiosamente. A Layzza não sabia se me acolhia, se me ajudava...

Na época eu não soube discernir se era pelo fim da graduação, por ter que deixar aquele quarto que se tornou minha casa, se por ter que me despedir das pessoas que compartilharam cinco anos de suas vidas comigo ou se por outro motivo qualquer.

De fato aqueles anos vividos com a intensidade que foi possível, estavam terminando. A cada coisa que tirava do armário um lembrança. A cada foto retirada da porta, da parede, uma lembrança. Até que eu não existisse mais ali.

Não achei que fosse reviver esse momento, mas cá estamos. Novos fins, novas despedidas, mais uns litros d'água escorrendo pelos meus olhos de forma constante nos últimos dias. 

Dessa vez me despeço novamente, agora com a maturidade de uma mulher, entendendo que alguns ciclos precisam se encerram para dar lugar a novos planos. E não mais com a ingenuidade de uma menina incapaz de entender que na vida, às vezes é preciso voltar atrás, reorganizar suas bagagens e seguir viagem.

“O Tempo dá, o Tempo Tira, o Tempo Passa e a Folha Vira.” - Provérbio Áfrikano

.

.

.

.

.

#tempo #formatura #planos #ufrrj #lembranças

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Tempo, destino e ancestralidade

Ontem eu estava refletindo sobre o que faz pessoas interessadas umas pelas outras, não ficarem juntas. Eu sei, obviamente, que existem inúmeros fatores que podem ocupar esse espaço invisível entre o desejo e a concretização dele. Mas nessa situação específica, me veio a cabeça naquele momento a cena de um filme sobre a história de uma rainha africana, Amina.

Neste filme, Amina é filha de um rei e sempre se destacou por ser alguém que não se conforma com determinadas normas em sua sociedade. Como é comum nas culturas e sociedades do continente africano, os reis como responsáveis pela comunidade, pelo povo precisam consultar aos ancestrais através dos oráculos para tomarem grandes decisões. É também comum haver sempre mulheres com uma espécie de dons espirituais, como feiticeiras, sacerdotisa, responsáveis por fazer não só a comunicação entre o mundo visível e o mundo invisível, mas de cuidar, no sentido de proteger espiritualmente a população. E em especial pessoas que tem um destino, não mais importante, mas que se cumprido corretamente, interfere para o bem ou para o mal desta população. Pois bem, Amina era uma dessas pessoas e seu pai já sabia, porém, como neste plano estamos atravessados por sentimentos e outros fatores que acabam por dificultar que cumpramos esse papel, o pai de Amina não queria permitir que sua filha seguisse seu destino para protege-la.

Mesmo assim, a sacerdotisa não deixava de lembrá-lo. Amina cresceu e como "esperado" ela seguiu mesmo sem saber um caminho que a levaria onde ela precisava chegar. Como diz Janaína Portela: estrategicamente esquecemos para o que viemos e nossa missão é lembrar. Amina, enfim após alguns acontecimentos vai visitar a sacerdotisa e o diálogo é mais ou menos esse:

Sacerdotisa: Você está atrasada.

Amina: Você estava me esperando?

Sacerdotisa: Você está atrasada. Deveria ter vindo antes.

Amina: Você é... Eu sou Amina, eu vim procurar seu filho...

Sacerdotisa: Eu sei quem você é. Quem você acha que te protegeu esse tempo todo? Você não veio atrás dele...Você veio porque precisa saber.

A sacerdotisa então conversa com Amina e pede que ela espere, mais tarde ela leva Amina a caverna onde haviam registros nas paredes de sua trajetória. Amina então diz que as imagens são familiares, pois ela já as viu em alguns sonhos. Fica entendido então que a mesma precisava se preparar para ajudar seu povo, mas havia um preço a se pagar. O tempo passa vários acontecimentos atravessam sua vida, como a morte de todos os seus familiares e da pessoa por quem se apaixonou, mas Amina consegue finalmente ajudar a seu povo.

No final do filme, Amina volta a consultar a sacerdotisa e diz:

Amina: Você não disse que não seria fácil.

Sacerdotisa: Eu disse que você havia chegado atrasada.

Isso me fez pensar em várias questões em minha vida, pois na busca pela espiritualidade e hoje entendo como ancestralidade, algo que ficou claro foi o quanto eu estou atrasada para meu destino e isso por inúmeros fatores. Mas assim como Amina, eu segui por um caminho que me reaproximou do meu destino e obviamente, foram meus ancestrais que guiaram. Mas o preço também tem sido alto, eu brinco que são 35 anos em 3. 

Mas apesar de tudo hoje eu entendo que estou no caminho fazendo o melhor que posso, mas que determinadas coisas não irão acontecer, não irão voltar e que este pode não ser o tempo para que algumas coisas acontecem.

.

.

Créditos da Imagem: https://www.caentrenospsi.com.br

#tempo #destino #encruzilhadas #kitembo #iroko #amina

terça-feira, 23 de maio de 2023

Hoje eu vou devagar

Hoje eu acordei sentindo o universo funcionar numa calmaria que me assustou.

Mas têm dias que é assim mesmo, né? Por mais barulho que se faça, há um grande silêncio na natureza, algo que não dá pra explicar, só sentir.

Eu entendi que hoje era dia de observar mais e falar menos. Dia de sentir. Sentir a partir do olhar, sentir ao ouvir. Dia de silenciar.

Dia em que o pensamento acelerado acalmou, que o nó na garganta se desfez, que a vontade de dizer mil coisas simplesmente deu lugar ao entendimento de que tudo tem sua hora, tudo tem seu tempo. Que caminhar devagar, com sinceridade, com simplicidade, com honestidade é a minha forma de existir. Então qualquer coisa que não esteja alinhado a isso, não precisa me ocupar.

.

.

.

.

.

#caminhos #dia #calma #paciência #oxalá

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Fotos


Eu gosto de fotos.

Gosto das lembranças,

Gosto de reviver os momentos.

O que você planeja para daqui há dez anos, pode estar acontecendo agora e você não percebeu.

Mantenha-se vivx.

Eu gosto de fotos...


#escritapreta #vivências #fotos #lembranças

Autoreflexão

Em 2022 eu...

Me escolhi várias vezes

Renasci várias vezes e várias vezes

Passei a me aceitar mais

A me ouvir mais

Me superei em coisas que eu achava impossível

Me permiti ser ainda mais feliz e tentei trazer o máximo de pessoas para compartilhar essa felicidade

Encontrei o F1 duas vezes no mesmo ano, para casar as amigas

Reencontrei o Hueider e parecia que a gente nem tinha ficado tanto tempo longe

Vi o resultado de falar pras pessoas: VAI VIVER!!

Curti dois dias de carnaval, mas tinha samba (foi por isso)

Comemorei meu aniversário com bolo do meu signo

Fiz trilhas

FUI NO ENSAIO DA MOCIDADE!!!

Fui no show do Jorge Aragão, Fundo de Quintal e da Leci Brandão

Entrei na modinha e fiz o vídeo do "desenrola, bate e joga de ladinho" com a Sil 

Tentei participar da roda de alunos do Fruta do Pé tocando atabaque 

Voltei as aulas presenciais

Fui ao baile charme e descobri que não é facinho quanto parece

Matei a saudade do Wakanda 

Fui uma madrinha linda 

Me aproximei do sagrado 

Iniciei meus estágios 

Mudei para a casa nova 

Comecei meu TCC 

Amei a vida, amei a existência ao ponto de não querer deixá-la. Senti dor, saudade, frustrações por precisar relembrar traumas do passado. Achei os caquinhos que estavam me ferindo lá no fundo e eu não via. Enxerguei as feridas, dei a mão a curandeira e tempo para elas sararem. Conquistei coisas que o dinheiro não compra: pessoas, sorrisos, olhares e experiências. 

E isso não quer dizer que foi um ano bom, tranquilo, mas foi mais um ano em que eu pude ser eu mesma, enxergar o sentido de eu estar aqui e saber para onde preciso ir. Vai parecer repetitivo, mas obrigada a minha família espiritual por me mostrar o caminho e me guiar quando eu escolho seguir por ele. Sem vocês eu não conseguiria. Obrigada por cada pessoa que entrou e saiu deste caminho, todes trouxeram um aprendizado.


#vivências #amor #vida #amizade #2022

Então, o amor preto cura?


Em alguns dos livros e textos que já li sobre amor e relacionamentos, como "O espírito da intimidade" de Sobonfu Somé, "Amor, liberdade e solitude. Uma nova visão sobre relacionamentos" na perspectiva de Osho, "Comer, Rezar, amar de Liz Gilbert, "Vivendo de Amor" por Bell Hooks e "Conversas Corajosas de Elisama Santos, me fizeram enxergar e refletir sobre o que é o amor? E entendi este para além de um sentimento direcionado a um objeto, que geralmente é um par romântico. O amor é também um conjunto de atitudes direcionadas a promoção de um bem estar. Seja para você, para o outro ou ainda para uma comunidade.

Fato é que nos ensinaram que amar é se anular para fazer com que outra pessoa se sinta bem, mas não é assim. Como você pode ofertar a alguém algo que você não tem, não sabe o que é, ou nem sabe se quer?

Para entender o que é amor e praticar em uma relação, precisamos começar por nós, por nosso autoconhecimento. Os relacionamentos são importantíssimos nesse sentido, pois nos auxiliam a conhecer e estabelecer nossos limites, porque como sempre digo: relacionamento é troca. Mas a relação com nós mesmos, aprendemos a saber o que gostamos ou não, o que queremos ou não, o que é importante ou não para nós, como nossas crenças, nossos valores e a partir disso criar ou fortalecer a autoestima para que possamos estabelecer nossos limites e respeitá-los.

Tratando-se do "amor preto", vou pensar ele aqui como um amor próprio. Podemos dizer que quase toda a população negra tem uma enorme dificuldade com a prática do autoamor em decorrência do racismo, conforme Neusa Santos Souza descreve em seu livro Tornar-se Negro. Neusa explica que na construção do Ideal do Ego dos negros em em diáspora, o modelo de referência é o homem branco, já que este é reconhecido como o único sujeito. Isso faz com que "O negro" negue toda e qualquer característica que o distancie deste modelo ideal, construindo assim uma autoestima enfraquecida e resultando em uma enorme dificuldade em se relacionar com esse mundo que constantemente o nega e não o reconhece e principalmente com seus semelhantes.

Historicamente, vemos esse reflexo muito maior sobre os homens negros. Sejam na dificuldade em construir e manter um relacionamento afetivo, na dificuldade em exercer a paternidade, na dificuldade de falar de suas dores, de seus sentimentos, nos altos índices de mortalidade, de alcoolismo. Nas mulheres vemos a dificuldade em conseguir se relacionarem por serem preteridas, em muitos casos serem abandonadas ainda gestantes, entre outras inúmeras formas de extermínio da população negra.

Nesse sentido, torna-se inviável se relacionar por conta de todos esses atravessamentos, tornando a população negra muito mais fechados para um relacionamento amoroso, por medo de serem machucados novamente e sobretudo por não conseguirem se expressarem sobre isso.

Mas eu tenho aprendido que amor preto é amizade, é acolhimento, é agregar, é estender a mão quando o outro precisa e mais do que isso é estar conectado para conseguir perceber quando o outro precisa. Para mim, ele está muito no sentido de ofertar e receber afetos nas várias relações em que estamos inseridos. Não se restringe a uma relação amorosa. É sobretudo um amor que precisa iniciar primeiro de você, para você.

Essa perspectiva foi sendo construída muito a partir da minha aproximação com a ancestralidade. Lembro que a primeira consulta espiritual que tive em uma gira de umbanda, foi com um caboclo. O mesmo me disse que eu precisava praticar o auto amor, me orientou a ter práticas que me fizessem enxergar quem eu era, meu valor, etc. Naquele dia, eu sai da gira pensando que tudo que ele disse eu já sabia, acabei por esquecer por algum tempo. Mas meus ancestrais (por isso a escolha dessa imagem) a quem eu honro e agradeço, me fizeram trilhar caminhos onde eu entendi que por mais que eu soubesse eu não praticava e eu já não podia mais agir assim e continuar a sofrer. 

Muitas leituras, conversas, orações e choros foram necessários para que eu começasse a entender e praticar o tal auto amor. Me liberar de coisas que não pertenciam a mim, para dar espaço para o amor brotar. Porque a fonte é interna. Foi necessário me recolher, me ouvir, me reconhecer, observar, sentir. E hoje eu posso dizer que sim, o amor preto cura. Mas é preciso que esse amor e essa cura comecem por você.

Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer, me fez despertar 
(Arlindo Cruz)

Belezas são coisas acesas por dentro
(Gal Costa)


#aquilombar #amor #amorpreto #amorpróprio #ancestralidade #umbanda #escrevivências

Imagem: https://guiadaalma.com.br/preto-velho-preta-velha/

sábado, 12 de novembro de 2022

Processos



Quando a Ana fez esse rascunho eu vi e disse: Nossa! Que linda! Quem é? E eu lembro da Ana e a Thais dizerem é você.

Eu fiquei espantada e pensativa por muito tempo. E só vinha a minha cabeça: como eu não tinha me visto? Porque eu não me reconheci? Ali ficou claro minha dificuldade com autoimagem.

Nessa época eu estava também iniciando meu processo de autoconhecimento, de buscar saber quem eu era, pela Psicologia, mas muito mais pela espiritualidade que dia após dia me faz esse convite. Porém, esse é um processo que só acontece se você consegue parar, andar devagar, observar e sentir.

Hoje é mais um dia nesse processo, eu já consigo saber muito mais de mim hoje do que mês passado ou há um ano atrás. Mas ele é contínuo, é progressivo a cada linha de chegada outra estrada se apresenta, mas quem me conhece sabe que esse é meu movimento. Aliás eu estou sempre em movimento.

Trouxe aqui essa reflexão para fazer um registro pessoal, mas também trazer a reflexão sobre a necessidade de olharmos para nós, para nosso corpo e ouvir o que ele tem nos dito, tem pedido e isso só acontece quando a gente para.

Estamos acostumados a uma modo de vida que nos faz estar constantemente em movimento, mas um movimento que nos distância de quem somos. Que não nos permite saber e nem ser quem somos. E ir na contramão dele exige disciplina, vontade e principalmente coragem. Coragem para quando nós depararmos com um eu que não é nem um pouco parecido com o que queríamos. E isso assusta. Mas também traz liberdade.

Então, pare um pouco para se ouvir. Quebre o ciclo. Sinta o seu corpo gingar e descubra onde ele quer te levar.


#autoconhecimento #espiritualidade

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

E quero ser eu independente de quem seja você.






Esse texto como todos os outros, nasceu de uma inquietação a respeito de uma breve conversa com uma amiga, sobre autoestima e autoimagem. Mas nós nem estávamos falando desse assunto, apenas conversávamos sobre coisas que nos atravessam e de repente o assunto migrou.

E eu disse a ela que no fundo a gente sabe. Mas às vezes é um pouquinho difícil aceitar, entender não sei. E que outro dia eu tinha comentado com uma outra amiga que eu já tinha entendido a mulher que eu precisava ser, mas estava difícil encontrar ela aqui dentro. Mas eu a vejo, às vezes.


E isso não saiu da minha cabeça até que veio o título desse texto e eu fiquei refletindo sobre quem eu era, quem eu queria ser, quem eu queria ver.


É difícil às vezes a gente se enxergar, principalmente quando você passou uma vida inteira deixando as pessoas dizerem quem você era. Mas chega um momento em que isso começa a te incomodar e você encontra o vazio, porque você não consegue reconhecer quem tá ali.


Eu já escrevi alguns textos falando desse processo de reencontro, de redescoberta e o quanto ele pode ser doloroso porque parece que todo dia aquela ferida que parecia estar cicatrizando começa a sangrar. Mas ao mesmo tempo, você lembra que já caminhou um pedaço da estrada e que até aqui conseguiu caminhar. Não faltou acolhimento, não faltou alimento, não faltou cura e que na maioria das vezes isso veio de você.


Eu uso a imagem de mamãe Oxum pedindo sua benção e licença, mas porque o espelho que ela traz, tem também o significado de refletir quem nós somos, da busca pelo amor próprio e seu próprio eu. Que tudo começa em você.


Ora yê yê ô.

.

.

.

.

.

#autoestima #autoimagem #autoconhecimento #autoamor #amorpróprio #oxum


Imagem: https://www.brasilcultura.com.br/menu-de-navegacao/antropologia/oxum/


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Você já refletiu sobre suas relações?

Essa semana eu li a frase: "As relações nos mudam".

De fato, as marcas que as relações nos deixam são extremamente significativas para nossas vivências. As primeiras relações de nossa vida influenciam na forma como iremos nos comportar em todas as relações ao longo da vida. Sejam elas familiares, de amizades ou amorosas.

Mas, o que fazer? Devemos evitar de nós relacionar para evitar essas marcas?

Reflita comigo. Quanto tempo você acha que conseguiria manter essa prática? Isso lhe faria bem? 

Acredito que o melhor comportamento que podemos ter em relação a isso é: repensar a forma como estamos nos relacionando. Avaliar os tipos de relações que temos e observar com quem estamos nos relacionando.

O que essas relações tem produzido? Bem estar ou adoecimento? 



#saúdemental #relacões #vivência #adoecimento #bemestar

terça-feira, 23 de agosto de 2022

"Foque no que há de verdadeiro em você mesmo."



Nada tem feito tanto sentido pra mim, quanto dar ouvidos a voz que vem de dentro, mas para isso tenho precisado silenciar.


Silenciar o barulho das opiniões dos outros, silenciar o medo, silenciar os anseios pelo futuro que eu não sei qual é. E como poderia saber se eu não sei nem como o quero? Não sei quem eu sou.


Às vezes a gente precisa parar, observar, se reorganizar para seguir. Como o Sankofa que “Quer dizer que quando você se esquece de algo é preciso retornar ao lugar onde o acontecimento foi esquecido para recuperá-lo. 


Eu que sempre ando na correria, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, falando igual tagarela não estava conseguindo nem me ouvir. Outro dia, conversando com uma amiga, contei sobre um sonho que tive e ela logo falou: "Claro né, Bia! Porque se não entrar na sua frente você não para." E foi exatamente o que precisou acontecer. O que está acontecendo. 


Quem acredita em espiritualidade,  em ancestralidade sabe, mil mensagens são passadas a você para te auxiliar a encontrar o propósito para o qual veio aqui e se você não estiver atento, não tem como entender.


Foi preciso entrarem na minha frente pra eu perceber, pra eu desacelerar, pra eu observar, voltar lá atrás, me reorganizar, lembrar das feridas, revive-las, ressignificar e seguir.


Fácil? Não, porque quando você observa você enxerga coisas que muitas das vezes não queria, que doem, que te tiram da zona de conforto, mas que te trazem consciência e racionalidade e te auxiliam a entender o caminho, te auxiliam a aceitar o processo e florescer.


Só aí, depois que passa o vendaval a gente começa a enxergar as coisas e as pessoas como são e da forma que precisam ser. Tem sido desse lugar que eu começo a me ver. Começo a me enxergar para saber quem eu sou e para o que vim.


Esse texto não está terminando assim como esse processo. Ainda tem muita água pra jorrar, muito amor pra nascer. Mas deixo para reflexão uma frase de um dos textos maravilhosos de Janaina Portella, que tanto têm contribuído com esse processo. 


"Sim, estrategicamente esquecemos para o que viemos, a missão é lembrar." 

.

.

.

.

.

Referência: https://www.geledes.org.br/sankofa-a-africa-que-te-habita/


#fé #ancestralidade #calma #propósito #sankofa

quarta-feira, 4 de maio de 2022



"A lua se move lentamente, mas atravessa a cidade." Provérbio africano.

Minha avó sempre nos ensinou através dos seus provérbios. Se nós, seus netos, nos reunirmos hoje a única certeza que tenho é a de que vamos relembrar vários dos provérbios que ela usou para nos educar. E todo nosso caráter é pautado sob isso. Uma mulher negra, não letrada que sustentou três gerações, seja financeiramente, seja emocionalmente. Minha avó, era o centro. Era a nossa base. Não por acaso quando somos subestimados em alguma situação, dizemos: eu sou neto ou neta de dona Maria.


Todas as pessoas que a conheceram quando lembram, trazem sempre uma história de amor, carinho e cuidado. Eu cresci vendo minha avó ajudar pessoas que não tinham o que comer, ajudando casais que viviam brigando e iam se aconselhar com ela, ouvindo-a dizer: "se eu tiver um punhado de farinha e tiver alguém precisando eu divido", "fazer o bem sem olhar a quem", "se você achar alguma coisa mesmo que seja no quintal, devolve porque tem dono", "leva sombrinha e casaco porque vai chover", mesmo estando um sol de quarenta graus no Rio de Janeiro. E geralmente chovia. Esses e muitos outros ensinamentos como fazer comida, cuidar da casa, lavar suas louças, pentear o cabelo, curar qualquer doença com plantas, ter fé… Minha avó era uma imensidão dentro de um corpo.


Lembrar de tudo isso é pensar em ancestralidade. É ver na prática a importância da oralidade para os povos de matriz africana. É pensar o papel da figura feminina em uma sociedade não patriarcal. A história de minha avó é única ao mesmo tempo que não se  difere da história de milhares de mulheres negras que habitaram e habitam esse país.


As vezes eu paro para refletir em determinados comportamentos que tenho e penso: É, como eu uma mulher negra, que cresci com os exemplos de mulheres que sempre foram fortes, destemidas, determinadas, independentes, que não mediram esforços para sustentar seus filhos e alcançarem seus sonhos poderia ser diferente? "O fruto nunca cai longe da árvore". 


Deixo claro aqui que eu não excluo os poucos exemplos masculinos que tive. Mas essa é mais uma constatação de como são formadas as famílias negras neste país.


Dedico esse texto às mulheres da minha vida porque eu sei que "eu sou uma, mas não ando só".


#povoada #mulhernegra #ancestralidade #vó #maria

domingo, 14 de novembro de 2021

"Viver é urgente!"



Cada uma de nossas escolhas geram consequências, sejam elas boas ou ruins e amadurecer é saber escolher com o mínimo de racionalidade e depois aceitar o que vem, sem se vitimizar.

Ninguém toma uma decisão com 100% de certeza que vai dar certo. Nem os melhores estatísticos podem garantir isso. Temos sempre um risco a correr.

Mas chega um momento em que a gente entende que não dá pra não viver por medo de errar e quanto mais cedo entendemos isso mais experiências podemos viver para crescer, amadurecer e evoluir.

Se eu nunca tocar na água eu nunca saberei o quão gelada ela pode ser, mas também não saberei o quão revitalizante ela pode ser também.

Viver exige correr riscos. E isso não é sinônimo de irresponsabilidade.

Viver é "aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor."

.

.

.

.

.

#vida #viver #urgente #risco #escolha #amadurecimento #experiencias #crescimento

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

"Conhece-te a ti mesmo"




Você não sabe ou conhece seus limites até que eles sejam testados.

Até onde vai sua força, sua resistência, sua determinação, sua moral? Será que você se conhece o suficiente? Será que você se permite o suficiente? Será que você é realmente quem pensa ser? E principalmente, será que você é do jeito que se apresenta aos outros?

É necessário conhecer-se a si mesmo para obter essas respostas. A grande questão é: será que estamos preparados para essa jornada de autoconhecimento? Será que temos coragem o suficiente para nos arriscar? 

O que seria autoconhecimento e como ele influência nossas vidas?

"Autoconhecimento é o conhecimento de si mesmo(a). É uma investigação a respeito de você, buscando conhecer quais são suas características marcantes, quais são seus gostos e inclinações, quais sentimentos você vivencia."

Quando você se conhece torna-se mais fácil trilhar caminhos, porque saberá quais são os caminhos que deseja trilhar. Não é facilmente influenciado e manipulado pelos outros. Sabe dizer não e impor limites aos outros não permitindo que lhes influenciem em suas escolhas e decisões. O que não significa que você não possa pedir opinião e ajuda a alguém. Só não estará dependente do outro para agir.

Conhecerá suas emoções e sentimentos e saberá lidar com eles e por fim saberá quais são os seus limites. Onde você quer chegar, quem quer ser. O porquê não quer ser ou não quer fazer isso ou aquilo.

Muitos de nós passamos anos de nossas vidas sem saber quem somos e acabamos nos tornando objetos de manipulação. Ou ainda nos espelhamos em pessoas das quais admiramos ou achamos que têm atitudes corretas e louváveis. Geralmente não questionamos nossas escolhas apenas seguimos o fluxo, agimos no automático.

Mas, em algum momento pode ser que consigamos acordar desta experiência. E que bom! Bom mesmo seria que esse momento chegasse bem cedo ou que não tivéssemos a necessidade de passar por ele, mas se passamos que possamos aproveitá-lo da melhor maneira possível para que o resultado seja também o melhor possível.

Se você ainda não iniciou essa jornada, te convido a dar o primeiro passo. Não posso garantir que será fácil, que será agradável porque as vezes escondemos coisas de nós para nós mesmos que são assustadoras. Vai desapontar a alguns, arrumar guerra com outros e até perceber que aquelas pessoas que tinham tanto em comum com você, na verdade não têm. Mas tenho a certeza que você encontrará liberdade. E esta não tem preço.


#autoconhecimento #limites #liberdade #força #resistência #determinação #riscos #jornada